Todo papel importa: uma reflexão sobre protagonismo e processo no teatro
- Renan Ragazzi
- 9 de jan.
- 3 min de leitura
Em toda montagem teatral, chega um momento muito esperado (e temido): a distribuição dos personagens. Quem será o protagonista? Quem vai fazer o vilão? Quem entra em cena só no final? Quem vai ter mais falas?

Esse momento costuma vir carregado de ansiedade, expectativa e, às vezes, frustração. É comum que muitos alunos sonhem em interpretar o papel principal. Afinal, cresceram assistindo a histórias onde os holofotes estão voltados para um só personagem. Mas será que o valor de um artista se mede pela quantidade de falas ou pelo tempo em cena?
Essa é uma das reflexões mais importantes que um estudante de teatro pode fazer — e precisa fazer.
Teatro é conjunto, não competição
No palco, tudo é interdependente. O protagonista só brilha porque existe alguém que o provoca, que o escuta, que interage com ele. Um bom espetáculo não depende de um personagem, mas sim de um elenco inteiro comprometido, onde cada um entende o valor da sua função dentro da cena.
O teatro não é sobre ser o centro das atenções. É sobre estar presente com verdade, seja no papel do herói, do antagonista, do amigo, do comerciante da vila ou até mesmo como parte do coro.
A escolha dos personagens é parte do processo, não um julgamento

Como professor e diretor, o meu compromisso é com o crescimento de cada aluno e com a construção do espetáculo como um todo. Quando distribuo os personagens, levo em conta diversos fatores: o perfil do grupo, os desafios que cada aluno precisa enfrentar, as necessidades da encenação e, principalmente, o equilíbrio entre todos os envolvidos.
Tento sempre criar oportunidades de participação para todos — ainda que, em turmas grandes, isso nem sempre signifique igualdade de tempo de cena. Mas significa equidade de aprendizado, e isso é o mais importante.
Crescer no palco é aproveitar cada chance
Já vi alunos brilharem com papéis considerados "pequenos", porque trouxeram profundidade, escuta e entrega ao que faziam. Também já vi quem recebeu papéis grandes se perder por não compreender o peso da responsabilidade que isso exige.
A verdade é simples: o que define sua evolução como artista não é o tamanho do personagem, mas como você mergulha nele. Cada cena é uma chance de se desafiar, se expressar, escutar, estar em grupo. Cada experiência no palco é uma semente plantada no seu processo de formação.
E se trocássemos a pergunta?
Em vez de perguntar "por que eu não fui escolhido para o papel principal?", que tal se perguntar:
O que esse personagem pode me ensinar?
Como posso crescer com essa oportunidade?
O que posso trazer de único para essa cena, por menor que pareça?
Essa mudança de olhar faz toda a diferença — não só no teatro, mas na vida.
Conclusão: o palco é de todos
No teatro, não existe personagem pequeno. O que existe é ator ou atriz que não entendeu a grandeza do seu papel. Cada fala, cada gesto, cada momento em cena pode ser inesquecível se feito com entrega, verdade e generosidade.

Então, da próxima vez que você receber um papel, não se pergunte se ele é "grande" ou "pequeno". Pergunte o quanto você está disposto a crescer com ele.
Você já passou por uma situação parecida nas aulas de teatro? Como lidou com a escolha dos personagens?Deixe seu comentário, compartilhe com seus colegas e continue acompanhando nossos conteúdos.A formação de um artista acontece cena por cena — e estamos aqui para viver esse processo juntos.
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